Considero estranho o fato de uma questão tão delicada como a que foi abordada na coluna do ex-militante de esquerda e sociólogo Cesar Benjamin na Folha de S. Paulo do último dia 27 – em que, entre um comentário sobre o filme “Lula, o filho do Brasil”, acusa o presidente de tentar agredir sexualmente um de seus companheiros de cela no período em que esteve detido, em 1980 – ter vindo à tona às vésperas de mais uma eleição presidencial, em que Lula, com a popularidade que detém, será uma peça-chave.
Diante de uma história tão escabrosa, cabem algumas perguntas. Por que Benjamin não denunciou a agressão na época, esperando 15 anos para fazê-lo? Por que não abandonou a campanha imediatamente, preferindo omitir de todo o país uma informação que poderia mudar o rumo da História?
Outra questão: o que teria levado um veículo de imprensa do porte da Folha a abrir espaço para uma acusação dessa gravidade sem, como escreve o próprio ombusdman do jornal, cumprir duas regras básicas do jornalismo: “tentar reconstituir os fatos narrados pelo autor” e “oferecer ao outro lado espaço e destaque similares para defender pontos de vista opostos” ao do artigo?
Tudo indica que se trata de uma tentativa de influenciar, ainda que por via indireta, na campanha eleitoral que se aproxima. Infelizmente, da pior maneira possível: acusações irreais e de cunho pessoal. Não podemos admitir que o debate político se trave em torno de leviandades e calúnias, e sim a partir da análise de ideias e projetos de cada candidato.
Para uma melhor compreensão do caso recomendo a leitura dos seguintes artigos:
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/11/27/o-ataque-de-cesar-benjamin/
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4126802-EI6578,00-A+prisao+de+Lula+no+DOPS+em.html






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