
A tentativa da oposição de transformar uma história velha – o caso Bancoop – em munição contra o governo e, de quebra, a candidatura Dilma, se revelou em mais um tiro n`água. O pedido de bloqueio das contas da cooperativa e da quebra do sigilo bancário de João Vaccari Neto, seu ex-presidente, foi negado pelo juiz Carlos Eduardo Lora Franco, que, além disso, determinou ao Ministério Público que “apresente as razões, as justificativas para tal medida no inquérito”. A notícia, como de hábito, foi divulgada muito discretamente, ao contrário do estardalhaço promovido pela grande imprensa quando o caso foi requentado.
Na sentença, o juiz lembra que o período eleitoral “reforça ainda mais a necessidade de cautela e rigor no exame dos requerimentos formulados, justamente para que tal atmosfera política não venha a contaminar a presente investigação ou, noutro sentido, que esta não venha a ser utilizada por terceiros para manipulação da opinião pública por propósitos políticos”. Lora Franco também questionou os procedimentos do promotor José Carlos Blat, que, segundo o magistrado, fez afirmações sem demonstrar em que provas elas se sustentam. A íntegra da sentença está aqui.
Interessante notar que o mesmo Blat apresentado hoje como um herói já teve seus dias de vilão. A mesma Veja que dedicou páginas ao surrado episódio Bancoop em 2010, tratando o promotor como um corajoso paladino da verdade, já tinha lançado seus holofotes contra ele em 2006, quando noticiou as investigações que a Corregedoria do Ministério Público fazia sobre casos de desmanche de veículos roubados e tentativa de livrar-se de multas, todos envolvendo Blat. Que também foi acusado de proteger o contrabandista chinês Law Kin Chong – em 2002, quando participou de uma força-tarefa antipirataria, o promotor, segundo a mesma Veja, “teria dirigido o foco da investigação somente contra os pequenos contrabandistas, deixando Law livre para atuar”, além de receber visitas periódicas da advogada que trabalhava para o contrabandista. A matéria está aqui.
Felizmente, as coisas no Brasil vêm mudando. A mesma Justiça que derrubou inapelavelmente o factóide Bancoop dará seu veredicto na ação que o Partido dos Trabalhadores moverá contra o jornal o Estado de S.Paulo, pelo editorial da última terça – em que é chamado de “Partido da bandidagem” –, e contra a revista Veja, pela matéria que começou a circular no último sábado. O promotor também terá de prestar contas de seus atos: uma representação contra ele e suas “mentiras, ilações sem provas e evidente interesse em usar a imprensa para se promover às custas de acusações desprovidas de qualquer base jurídica ou factual”, como escreveu em nota o presidente do Partido, José Eduardo Dutra, será aberta junto ao Conselho Nacional do Ministério Público. O PT confia que, mais uma vez, a verdade prevalecerá.




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