
As intensas chuvas que atingiram o estado do Rio de Janeiro deixaram um rastro de destruição e morte. Mais de 150 vidas foram subtraídas e o caos se instalou em muitas cidades. A capital e Niterói foram as mais atingidas. No entanto, outros municípios das regiões Metropolitana, Serrana, dos Lagos e Baixada sofreram com alagamentos e deslizamentos de terra.
Antes que o choque e a consternação tomem conta, as autoridades têm que usar a triste experiência para evitar novas tragédias. O foco deve ser no gerenciamento de riscos e não de emergências. Obras preventivas e planejamento são essenciais.
Nesse sentido, a união das três esferas de governo é essencial. Prefeitos, governador e Governo Federal já estão conversando para que verbas extras sejam liberadas para a execução de obras e para que o programa Minha Casa, Minha Vida atenda os desabrigados e aqueles que ainda moram em áreas de risco.
Muitas das vítimas moravam em áreas de ocupação irregular. Os prefeitos do Rio de Janeiro e de Niterói já demonstraram a intenção de remover essas famílias, a fim de tirá-las de situações de risco. Na capital, o prefeito estima que 12 mil famílias sejam retiradas de favelas para habitações formais. Mais do que obras de construção civil, essa é a melhor prevenção.
Os especialistas afirmam que a maior interferência na ocorrência dos deslizamentos é a ação do homem. Atitudes como ocupação irregular do solo, desmatamento, desvio de cursos d’água, aterros irregulares e lançamento de lixo e entulho nas encostas são prejudiciais e facilitam a ocorrência de acidentes. O lixo também é um dos facilitadores de alagamentos. Os detritos jogados nas ruas entopem ralos e impedem o escoamento. Nos rios, o lixo também impede o curso normal da água, facilitando transbordamentos. Portanto, evitar problemas em dias de chuva também é responsabilidade de cada cidadão.
As autoridades têm que garantir a infraestrutura necessária para a segurança e conforto da população. E cada cidadão deve fazer a sua parte, respeitando as leis para construção em áreas de encosta e com uma ação muito simples: não jogar lixo nas ruas.
Mais do que procurar culpados, governantes e sociedade devem se unir para evitar novos problemas. Cada um deve agir dentro de suas responsabilidades para que a chuva não cause medo, desespero. Se o planejamento urbano for feito e executado de maneira eficiente, as águas de março, abril ou qualquer outra época serão protagonistas apenas em músicas e não em tragédias.




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