
Altar montado por moradores da comunidade Tavares Bastos.
Não existe nem um outro santo que mais represente o Rio de Janeiro, do que São Jorge, que é celebrado todo dia 23 de abril, data aceita como a de sua morte. Na cidade, a data passou a ser feriado apenas em 2008, quando fiéis passaram a ter, com exclusividade,o dia para reverenciar o Santo. São jorge foi padroeiro do Estado até 1910, quando perdeu o posto para São Sebastião, mas o que não diminuiu a fidelidade de seus devotos. O amor por são Jorge, não é uma exclusividade carioca. Para os baionos ele é Oxossi. No sincretismo atende por Ogum, mas o santo guerreiro é mártir e padroeiro de igrejas espalhadas por países como França, Egito, Itália, Grécia, Alemanha, Inglaterra e Portugal.
São Jorge representa tanto a diversidade que remete à cidade Maravilhosa que reverenciá-lo é só uma questão de criatividade. Os ritos religiosos estão presentes, mas o respeito pelo santo é conhecido pelos rincões mais diversos da cidade e é feito de maneira que só depende a imaginação dos fiéias.São Jorge é samba. São Jorge é pagode. Jorge é alvorada. Jorge é até funk.Devotar-se a Jorge é, sobretudo, ser carioca, ser guerreiro. É passar por cima das dversidades e das diferenças em busca da celebração. E foi isso que o Blog do Sereno constatou ao participar de diferentes festas, em diferentes pontos do Rio.
Embora feriado tenha sido decretado apenas na cidade do Rio de Janeiro, isso não significou impedimento para Francisco Carlos Esteves, o Chicão da Água, que reside no bairro Barro Vermelho em São Gonçalo criasse uma festa para reverenciar o homem da Capadócia (região da Turquia, onde teria nascido o santo), no último dia 23 de abril. Há sete anos, chicão promove um café da manhã que começou reunindo 40 pessoas em sua residência e, na última comemoração, juntou em torno de 450 pessoas. Ele optou por fazer uma comemoração diferente e promoveu um café da manhã, que começou com uma alvorada e um show pirotécnico com 16 mil tiros e que durou oito minutos. Esse respeito pelo Santo foi percebido também na feijoada realizada no Morro Tavares Bastos, no Catete. Lá, em torno de 400 pessoas se reuniram ao som de um bom samba, para saborear uma caprichada feijoada e também homenagear o Santo Guerreiro. Lá um grande altar foi montado e os fiéis puderam reverenciar e agradecer toda a graça e proteção que garantem ter recebido do Santo. De lá, o Blog do Sereno acompanhou foi até o Engenho da Rainha, onde um grande grupo de pessoas se reuniu para festejar Jorge ao som de samba e acompanhado da já clássica feijoada. Em Nova Aliança, na zona oeste, o som do funk a rapaziada mais nova também aproveitou para saudar o santo, mostrando que devoção e respeito não tem idade.
Soldado, mártir, cristão convertido e defensor de donzelas. Muitas são as histórias que tentam dar conta da figura mítica de Jorge. A igreja católica declara que o santo é reverenciado desde o século IV, no Oriente, sendo padroeiro da Inglaterra, Lituânia, Moscou,Geórgia, Portugal e Catalunha (região hispânica). Após deixar o ofício de soldado romano, Jorge teria se convertido ao cristianismo, o que prevalece como causa de sua morte, já que, após perseguição do imperador Diocleciano, o mártir não teria negado sua fé, terminando decapitado na Palestina, em dia 23 de abril do ano 303.A imagem do santo remete à lenda que afirma que Jorge teria vencido, a golpes de lança, um dragão que assolava uma cidade no Oriente Médio, a exigir constantes sacrifícios de moças “donzelas”. Jorge teria aparecido, em nome de Cristo, a fim de propiciar a conversão de todos. Para alguns, o dragão (o demônio) simbolizaria a idolatria destruída com as armas da fé. Já a donzela, que o santo defendeu, representaria a província da qual ele extirpou as heresias.Os restos mortais de São Jorge descansam em Lida, Israel, onde foi sepultado e onde o imperador cristão Constantino mandou erguer suntuoso oratório aberto aos fiéis.
O dia de São Jorge é uma data com um grande apelo popular. E é um importante momento em que aprendemos que nossas diferenças não são tão importantes assim. Que quando temos um objetivo comum o que em determinado momento nos distanciaria, é o que nos une. A data tem tudo para entrar no calendário oficial do Rio de Janeiro – que é o único estado da federação a inclui-lo no calendário – como uma festa realmente popular. Devotos de Jorge existem no Brasil e no mundo inteiro. A data,além de ser um momento de fé e de aproximção e que celebra, sobretudo, a união poderia também se transformar em um potencializador do já consagrado turismo na cidade.




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