
A partir de um paralelo entre Lula e “Dom Quixote de La Mancha” , de Miguel de Cervantes, o repórter Juan Luis Cebrián, do jornal espanhol El País, traçou um perfil do presidente, apontou as principais atividades de seu governo e começou a delinear qual será o maior legado da administração Ptista ao final de seus primeiros oito anos no poder.
Na entrevista, Lula fez duras críticas às Organizações das Nações Unidas (ONU) em relação a ausência de representantes dos BRIC (Brasil, Rússia, India e China) no Conselho de Segurança, por exemplo. Para Lula, “limite são as decisões da ONU, a qual, é claro, pretendo mudar porque da forma como está ela representa muito pouco. Por que o Brasil não é membro do Conselho de Segurança? Por que a Índia não é? Por que não há nenhum Estado africano? Se a ONU continuar fraca assim, sem representatividade, com países com direito de veto, nunca servirá corretamente ao governo global que é necessário.”
Lula também falou de assuntos importantes da adminstração como a questão do aborto, que é proibido no Brasil. No entanto, para o presidente a questão é um problema de saúde pública e é dever do estado atender essas pessoas. Mas ressaltou: “Minha relação pessoal com a Igreja Católica foi e continua sendo muito forte, mas somos um país laico, tratamos todas as religiões com respeito”.
O presidente ainda falou sobre os ganhos do país, sua história e relação com o PT, a relação com outros países. Cebrián classificou Lula como “um dos políticos mais carismáticos, admirados e surpeendentes do último século.” O que mais chama a atenção na entrevista, além das colocações pertinentes do presidente Lula, é que foi preciso ir até a Espanha para que o Brasil tivesse um pouco de informação que fizesse jus à história do principal administrador da nação. Foi preciso um espanhol para entender toda a dinâmica de Lula, como se desenha essa personalidade e, sobretudo, seu modo de fazer política.
Cebrián encerrou o texto da seguinte maneira: ” Tenho certeza, pelo menos, que o cronista desse futuro vindouro poderá novamente relatá-lo com as mesmas palavras de Cervantes: “Todos o abraçaram, e ele, chorando, abraçou a todos, e os deixou admirados, tanto por suas razões como por sua determinação tão resoluta e tão discreta”. É isso.”
Confira, na íntegra, a entrevista.




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