
Cazuza mudou a cara do rock nacional.
Enquanto a economia patinava nos anos 1980. Enquanto ainda começávamos a nos reacostumar com a tal liberdade, a juventude brasileira começa a experimentar. Eram os anos do rock, das bandas de Brasília, São Paulo. No Rio de Janeiro, nascia o Barão Vermelho liderado por um garoto da zona sul, que trazia “todo amor que houver nessa vida” em suas letras. Era Cazuza, com sua poesia do samba e sua cadência do blues.
Há 20 anos, as cortinas se fechavam para ele, vítima da Aids. Numa história que foi acompanhada amplamente pela mídia pudemos ver aquele “menino do Rio” definhar. O garotinho da zona sul, fez muito mais do que música, subverteu comportamento e deu uma cusparada na cara da monotonia. A música brasileira é rica em letristas competentes e de sua geração. Dono de uma acidez única, suas letras chegavam, algumas vezes, a choca.
Dono de uma personalidade única, Cazuza poderia ter sido apenas mais rapaz abastado. Não foi. Em suas letras sempre foi possível perceber a indignação com a situação do Brasil. Nelas, não fugia das discussões políticas, ao mesmo tempo em que não abria mão do romantismo. Até hoje, “Brasil” é um hino contra a letargia na qual vivíamos. Eram o final dos anos 1980 e o país se preparava para sua primeira eleição direta.
Ele se foi há 20 anos. Certamente, o rock brasileiro ficou mais tacanho. Mais simplório, mais pobre. Perdeu o viés subversivo. Ficou sem graça. O rock brasileiro nunca mais foi o mesmo. Fica aqui a singela homenagem do Blog do Sereno a essa figura fantástica que foi Cazuza.




Discussão
Sem comentários para “Faz parte do meu show”