Há uma semana, o Rio de Janeiro sediou 2º Congresso Estadual do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. A existência dessa categoria apresenta, pelo menos, dois grandes problemas sociais do nosso país: a falta de oportunidade para uma grande parcela da população e a destinação dos resíduos. Só na cidade do Rio de Janeiro são 30 mil catadores.
Na rua, em galpões ou nos lixões essas pessoas disputam espaço para sobreviver do que descartamos, diariamente. São9 mil toneladas de lixo ou o equivalente a 1,5 kg por pessoa. Uma. boa gestão de resíduos é campeã na criação de postos de trabalho, renda e inserção social através de cooperativas de coletores, ou pelo fomento de micro e pequenas empresas baseadas nas atividades de reciclagem e reutilização.
Dados da Associação dos Recicladores do Estado do Rio de Janeiro (Arerj) estimam que o setor gere, no estado, 36 mil empregos diretos. Considerando os coletores informais e individuais o número de postos pode chegar a 200 mil. Dessa forma, podemos resolver dois problemas: o da destinação do lixo e da inserção dessas pessoas no mercado de trabalho.
Mudar essa realidade depende, principalmente, da educação. Nós podemos nos reeducar e educar as gerações que estão por vir, de maneira que elas entendam a importância da separação adequada do lixo. Devemos educar os catadores de modo que eles possam alcançar uma melhoria na qualidade de vida formando cooperativas, se organizando e interferindo de forma positiva na realidade.
Acima citei dados da Arerj. Ela é presidida por Edson Freias que coordena a Brasil Pet Reciclagem em Honório Gurgel. Hoje a empresa ocupa um espaço considerável e emprega pessoas. Mas nasceu do trabalho pequeno do seu líder, que começou como catador de papel. A ONG Ecco Vida, também vinculada a Arerj realiza trabalho de capacitação e formação desses catadores. Essas informações só mostram como é possível e viável a abertura de campo para os catadores.
E esse mercado pode se expandir mais ainda. Mas, para isso, precisamos desonerar o setor de recicladores que faz com que a informalidade seja grande no setor. Mesmo com o grande trabalho realizado, só conseguem retirar 8% do lixo produzido, a desoneração poderá representar um crescimento pelo menos 50% no número de trabalhadores do setor.
É um setor que precisa ser pensado e ter ações e fomento adequados ao importante papel social que possuem ao gerar oportunidades de trabalho, renda e inserção social.





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