Do Rio Comprido, ficou a lembrança da infância feliz, com muito futebol na rua e pipas no céu. Do Colégio Militar, traz até hoje o gosto pela leitura. De Copacabana, ficaram as amizades da escola e a paixão pelo cinema. Na Fundação Getúlio Vargas, conheceu o trotskismo, que o levou ao movimento sindical. Das greves e atos em defesa dos direitos dos trabalhadores, chegou à política. E para vive-la intensamente, escolheu o PT.
O economista Marcelo Sereno nasceu em 1958, no Rio Comprido. Os avós maternos eram imigrantes portugueses e ele cresceu em um sobrado com muitos familiares como vizinhos. A família chefiada por um militar não era daquelas que mudava muito. O coronel do Exército Norton Giraffa Sereno, gostava muito do Rio de Janeiro e até perdeu oportunidades na carreira porque não queria viver em outra cidade.
Os conflitos com o pai se davam no campo das ideias e não por causa da disciplina sempre rígida dos militares. Quando Sereno quis sair do Colégio Militar, por querer ter cabelo grande e não concordar com as regras disciplinares da escola, o pai não fez objeção. No entanto, quando mais tarde o filho quis estudar Cinema, o coronel ameaçou cortar a mesada. A mãe, a professora Edy Borges Sereno, era mais liberal e mediava os conflitos entre pai e filho.
Estudou Administração Pública (Fundação Getúlio Vargas) e Direito (PUC-Rio) e se formou em Economia pela Cândido Mendes. A troca de faculdade surgiu da necessidade de ter mais autonomia sobre a própria vida. Passou a estudar à noite e trabalhar durante o dia para não ser tão dependente da família e poder defender a democracia com mais vigor.
Na faculdade participou do movimento estudantil e ingressou na corrente Liberdade e Luta (Libelu), onde conheceu o trotskismo. Ingressou no PT em 1981, um ano após a criação do partido. Sereno considera que a existência do PT é fundamental para a democracia no Brasil.
Por algum tempo, deixou o trotskismo de lado e ficou sem militar politicamente. Em 1985 passou em concurso para a Vale do Rio Doce e ali começou a luta sindical. Foi vice-presidente da Associação dos Empregados da Vale do Rio Doce, secretário-geral do Sindicato dos Economistas e ingressou na Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Na CUT, foi eleito para a Executiva Estadual e depois para a Nacional. Em 1999, deixou a CUT para se dedicar ao PT e participou da Executiva Nacional do Partido. Antes disso, se afastou do movimento sindical em 1989 para fazer a primeira campanha de Lula à presidência. Pediu licença sem vencimento da Vale e vendeu o carro para se dedicar integralmente àquela experiência. Marcelo Sereno lembra que houve uma mobilização tão grande, que, meses após a eleição, na festa de Natal da Vale, os funcionários cantaram o jingle “Lula-lá” repetidas vezes.
Marcelo Sereno participou do governo Benedita da Silva no Rio de Janeiro, em 2002, foi chefe de gabinete da Casa Civil no primeiro governo Lula e secretário nacional de Comunicação do PT. Em 2005, ele deixou a direção nacional do PT para se dedicar a se defender dos ataques políticos que sofria. Se afastou da política e se dedicou mais intensamente à família – a mulher Cátia e os filhos Catarina e João. Sem que nada tivesse ficado provado contra ele, passou a atuar na iniciativa privada.
Até dezembro de 2009, esteve à frente da Grandiflorum Participações, holding que controla a Refinaria de Manguinhos. A longa experiência administrativa, o conhecimento da economia do Rio de Janeiro e a vivência como líder sindical, também renderam a Sereno consultorias para outras empresas.
Empolgado com as conquistas do governo petista, Marcelo Sereno quer contribuir para que mais mudanças ocorram no Brasil. Por isso, se prepara para encarar novos desafios , completar seu papel político e utilizar a bagagem adquirida nesses anos para construir um Brasil moderno e mais justo.